REVOLUÇÃO
Como é sabido, sou comunista uma vez por um ano. Enfim, sou um gajo de Abril.
Neste Abril de 2006 dirijo-me a vós para falar de crise.
Meus caros, as crises são fodidas.
As causas e consequências que mexem com o estômago e carteira das pessoas despertam sentimentos complexos.
Nas alturas de escassez tendemos a ser economicistas e esquecemos valores maiores. Valores que marcam a diferença entre os homens e as restantes bestas do reino animal. Nessas alturas, porém, é próprio da natureza humana (porque é a parte animal que lhe inerente que assim apela) relegar para segundo plano preocupações como poder pensar e falar livremente, a consideração de que todos os homens nascem e são iguais, a solidariedade...
Aqui as pessoas são números. O que interessa é a produtividade, traduzida em estatísticas e margens de lucro. Há a meritocracia (se bem que na verdade é a ditadura do mérito e nós sabemos bem que em regra só os bem nascidos conseguem obter a educação necessária para ter sucesso...) - "eu trabalho. Quem é miserável é assim porque o quer". Ser mendigo é uma opção. A "mão invisível" trata bem quem é bom e mal quem é mau. Somos todos yuppies esteorotipados e passamos pela vida de molde a cumprir as fases naturais desta espécie: nascer, crescer, tirar um curso universitário, trabalhar, endividarmo-nos, enriquecer, casar, divorciar-nos e morrer. Tudo isto estando-nos bem a cagar para tudo o resto. O nosso próprio bem estar aliena-nos de tudo o resto.
O expoente máximo deste discurso pode ser encontrado em Sérgio Figueredo (esse filho da puta) e em Paulo Bobone.
Pelo menos Abril dá a possibilidade de uma vez por ano sonhar que as coisas podiam ser diferentes (Mas só sonhar, que eu sou do Abril das liberdades e não do Abril de andarmos todos vestidos com um uniforme cinzento a fazer saudações a imagens gigantes do Álvaro Cunhal na Praça Vermelha - actual Rossio).
Os gajos tinham barbas. Tinham mau aspecto. Houve quem lhes chamasse os "pândegos de Abril". Uns brincalhões.
Que se foda! Tiveram a coragem, de por uma vez, mandar foder o mais abjecto princípio que, de novo, volta a reger a sociedade portuguesa. O do "o respeitinho é bonito e eu gosto".
Mandar foder os filhos da puta com ar grave de fato riscado e de cabelo para trás com brilhantina! Sempre sérios... Só esboçavam sorrisos a esgaçar o cú de crianças pequenas.
Vamos fazer uma pândega. Vamos brincar: Faz de conta que todas as pessoas são iguais!
Na verdade não o são. Mas por um tempo, engánamo-los bem.
"
Em cada esquina um amigo, em cada rosto igualdade!"
Um sentido amplexo revolucionário.
VINTE E CINCO DE ABRIL SEMPRE!! FASCISMO NUNCA MAIS!
CCP