Reflexões avulsasCasa Castelo / Cara CasteloSoe dizer-se que a casa de um homem é o seu castelo. A sua forteleza intransponível na qual tem a sua privacidade.
A necessidade de espaço físico próprio e suficiente é inerente à condição humana.
Ora, sucede que numa cidade como Lisboa, não há espaço suficiente para que todos os seres humanos tenham o seu espaço, o seu castelo.
Pelo contrário, em meios mais pequenos a possibilidade de ter espaço é muito mais realizável.
É por isso que os não-residentes-em-Lisboa, são geralmente pessoas mais abertas e bem dispostas, porque têm, em regra, o seu próprio espaço no qual, quando a ele recolhem, têm a sua privacidade e podem recarregar as baterias da boa disposição.
Já em Lisboa, as pessoas têm que andar constantemente próximas fisicamente de outras pessoas: é no metro, nos autocarros, na rua e mesmo em casa, porquanto, muitas vezes a porta do nosso T0 fica a apenas alguns palmos do T0 do vizinho.
Ora, esta proximidade física em demasia existente nos grandes centros populacionais, acaba por criar distanciamento entre as pessoas.
É por esta razão que no metro está toda a gente mal disposta e com cara de quem tem um garfo espetado pelo cú acima: Na impossibilidade de poderem ter a sua casa-castelo, as pessoas assumem a cara-castelo. Nesta urbe, a única fronteira intransponível de protecção da privacidade que pode ter-se é uma carantonha feia que afasta quem sequer pense em transpô-la.
Um amplexo
CCP